Este meu primeiro livro, de cunho experimental, explora as sensações.
Um eu-autor realiza confissões pessoais e tece camadas líricas advindas de sonhos. Seu exercício de prosa poética leva à uma criação, produto de seus mágicos malabarismos, e um eu-personagem, recém-renascido ao mundo, mata o autor. Com livre arbítrio, tem diante de si um universo particular e exterior para explorar. Como escritor e pintor, este eu-lírico ouve e compartilha suas ideias e críticas entre vocês, leitores; e uma peregrinação pelos mais diversos temas se dá por dezenas de páginas. Suas andanças por áreas habitáveis e inóspitas culminam em reflexões filosóficas e políticas, temática presente em todo o momento e que aparece como fator decisivo para obter salvação.
O ápice de sua jornada é o julgamento por uma sociedade inteiramente tecnológico-capitalista que o incrimina pela devoção integral à Arte. Acorrentado, quem seria capaz de salvar um poeta na juventude? Eis que a musa reluz.
Este livro, além do surrealismo, também realiza uma ode ao romantismo, vital na casa dos vinte anos de um escritor e que ressalta a importância da mulher na arte e literatura. Realizado então, o eu-lírico segue caminho junto à musa e seu pulsar é interrompido pelo emergir do eu-autor que fora morto.
Revivido pelas necessidades básicas reais do mundo, entrega como último suspiro os cantos em prosa que lhe restam e relata em sofrimento a impossibilidade de romantizar a labuta nos dias atuais. Continuamos juntos rimando na medida da vida possível. Com uma única e última pergunta, o livro se encerra…
