Uma cidade, uma família, suas sete gerações e uma maldição que se apresenta como inexorável a seu destino. Desde que José Arcádio e Úrsula Iguarán fugiram de sua cidade natal, rumo a um lugar vão desconhecido, a fim de fugirem de uma assombração, descobriram um segredo antigo: que fantasmas não estão ligados apenas a espaços geográficos, a lugares, mas também, a aqueles que compõem e carregam sua historicidade.
No magnum opus de Gabo, acompanhamos a saga da família Buendía e suas sete gerações, desde a fundação da cidade fictícia de Macondo, até seus momentos derradeiros, onde “não se encontra uma segunda oportunidade sobre a terra.”
Macondo aqui é como um microcosmos da história da América Latina, com todas as suas belezas e suas contradições, permeados pelo perpétuo sentimento de solidão, a partir do processo de isolamento que nos assola, tal qual como definiria Márquez em seu célebre discurso, “A Solidão da América Latina”, ao vencer o Prêmio Nobel da Literatura.
Maldições, superstições, mitos, sexo, traições, revoluções, contrarrevoluções, saques, massacres, colonialismo e sobretudo contradições — tudo compõe o universo mágico e intrincado de “Cem Anos de Solidão” que, entre tapetes voadores, as águas de Cingapura, crianças com rabos de porcos e pelotões de fuzilamento, no fim manifesta sua centelha de esperança nas entrelinhas, tal qual professou Gabo no supracitado discurso:
