Em Dublinenses, focado nas limitações da dura superfície da vida comum em Dublin, Joyce se conduziu com sua vulgaridade da fala ou do gesto por dois modos epifânicos1, o fantástico e o realista, sendo o último o modo no qual narrou suas histórias presentes na obra.
Além de revelar em sua ficção acontecimentos de cunho pessoal e até familiar, os contos realizam um retrato realista da decâdencia da capital irlandesa, que durante a época de publicação desafiou a comodidade da elite na cidade, que virava os olhos para a real condição do povo com os becos repletos de crianças e bêbados. Na obra, muitos detalhes fornecem elementos para um julgamento duramente negativo em relação à representação dos eventos, das personagens e da sociedade.
Considerada uma cultura paratítica pelo próprio Joyce, ele tinha o objetivo de criticá-la e desmascará-la, sendo possível observar em suas personagens o desejo de escapar da miséria dublinense e o medo de realizar o desejo. Os capítulos envolvem encontros com a morte e visões retrospectivas, que variam entre primeira e terceira pessoa, estratégia com efeitos de intimidade e ironia, feita com maestria.
James Joyce nos dá uma das formas que essas alternativas podem tomar, ao produzir um estilo de remoração, um estilo que resgata e renova, ao provar uma leitura viva. Ao escrever histórias com um estilo que evoca a memória, ele pode focalizar a mortalidade e ainda sim questioná-la, possibilitando uma redefinição ativa dos limites aparentemente inalteráveis que todos nós enfrentamos.
James Joyce é um autor que expôs ao mundo uma mitologia de si mesmo.
