“Uma nova geração está se desenvolvendo oriunda diretamente do coração do povo”!
Poucas obras foram capazes de possuir um aviso profético e uma conclusão tão devastadora como “Os Demônios” de Fiódor Dostoiévski.
Conhecemos o drama de Stiepan Trofímovitch e de Varvara Pietrovna, suas relações com a sociedade e, principalmente, frustrações. Contudo, após dezenas de páginas mornas a água ferve e o pior vem dos próprios filhos que regressam do estrangeiro.
Pela “causa”, amor-próprio, puro sadismo e maldade, e para matarem Deus ou para se tornarem Homem-Deus, acompanhamos a jornada de niilistas que amam a beleza. Passamos pelas ideias e artimanhas de Nikolai Vsievolódovitch Stavróguin, de Piotr Stiepánovitch Vierkhoviénski (baseado em Sergey Nechayev) e seu círculo, sua influência sobre a sociedade, os demais membros do quinteto e então vemos as consequências do fanatismo político. Tudo para provocar um abalo sistemático das bases da sociedade, para a desintegração dela e de todos os princípios.
A crueldade atinge o ápice em momentos como a confissão de Stavróguin, o assassinato de Chátov e outros personagens, o suicídio de Kiríllov e mais mortes recorrentes, que transformam a cidade em completo caos e alarmam a Rússia.
Dostoiévski escreve este romance dirigido contra os radicais e a relação das ideias de sua própria geração (lembrando de sua participação no Círculo Petrachevski) com as da geração atual. Nos dias de hoje ainda presenciamos muitos demônios em um só corpo e mediante crises de valores e de crença, não há como expulsá-los aos porcos para se afogarem. Estamos todos juntos nos afogando…
