Eis Um dos mais importantes romances de Literatura (neste presente momento da minha vida, O mais grandioso) que já li!
O que dizer dessa obra-prima do escritor russo, o grande Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski? Mesmo em tenra idade diante de décadas que se estendem – eu espero, classifico este livro como minuciosamente específico e nada fácil, pois exige do leitor uma grande bagagem filosófica, artística, literária e espiritual, mas isso em convergência com experiências de vida, dado que o equilíbrio entre o intelectual saber e vivência é profundamente vital para melhor entendimento.
Pois bem! Diante de um parricídio, de uma desonra, de um ateísmo religioso e de uma bem-aventurança pelo mundo, são inúmeras as qualidades e defeitos, as lições morais e pecados éticos, que podemos aprender com Os Irmãos Karamázov na Rússia do Século XIX.
Acompanhar a jornada de Aliócha, Ivan e Dmitri e de toda sua família surtiu um estrondoso efeito sobre mim. A obra, sendo a final do autor, expõe uma imersão psicológica e comportamental em cada uma das personagens e retrata perfeitamente a complexidade familiar e social como um todo do povo russo, bem como a crise religiosa mesmo na esfera da igreja. Se à época de Dostoiévski está enviando Deus para o exílio, qual é a possibilidade de reconciliar os homens e mulheres em meio a esse mundo?
Tudo é permitido, caso Deus e a imortalidade da alma não existam, pensa Ivan. Não respondo, apenas elucubro que, com base em seu pensamento, é permitido até a ressurreição de Deus.
Destaco a importância de dois capítulos, os melhores que já li na vida em uma obra, “A revolta” e “O Grande Inquisidor”. Como poderíamos avaliar o perdão de uma criança inocente morta por um sádico dono de almas? Como poderíamos decidir a volta e liberdade de Jesus se nosso ditador religioso quisesse matá-lo? Devemos negar o Templo e Criador, ou somente um deles?
Uma tristeza saber que o autor morreu antes de concluir toda a saga que seria essa grande história, “A vida de um grande pecador”. Como gostaria de ver Aliócha, nosso heroi, que deixou o mosteiro para viver no mundo e, consequentemente, tergiversar valores e ideais para aderir a movimentos revolucionários. O final fica em aberto, quem sabe Dmitri tenha ido para a América e ai de Ivan! Finalizei a leitura com lágrimas nos olhos e gritando “Muito obrigado!”.
Então resta a pergunta que se cravou em minha carne e se uniu à minha alma pela eternidade, pergunta em que não obterei resposta, mas que me fará retornar a este livro até meus últimos dias neste plano dimensional em que vivemos:
всё позволено?
