Hoje Bob Dylan, ou para nós íntimos, apenas Mr. Zimmerman, completa 85 anos, depois de passar décadas morrendo e renascendo. Para além de me encantar com suas melodias e composições, Bob me ajudou a romper com a ideia canhestra de um autor enquanto sujeito/indivíduo e de biografias sistemáticas e lineares tão popularizadas nas lojas de departamento. De beatnik a bardo, de rockeiro a cigano, de operário a pastor fundamentalista, Robert através de suas muitas máscaras e performances, se consolidou como fenômeno histórico, uma entidade representante de diferentes tempos, concomitante a tantos e tantos movimentos e vanguardas artísticas, experimentando e nos oferecendo as mais diferentes perspectivas, vigorando até hoje como um dos artistas que melhor aprendeu a não tão somente se adaptar a predatória indústria fonográfica, mas sim, a se tornar um interprete e um performer de seu tempo, ou melhor, de seus muitos tempos.
Não desejo apenas uma vida longa a Dylan, mas sim, muitas e muitas outras vidas.
Viva Dylan, pelo direito de não nos mantermos quem somos (quer a plateia goste ou não).
Forget the dead you’ve left, they will not follow you
