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Yuri Fernandes Machado Poema

A mosca espacial

Ponto de inexatidão,
ponto luminoso,
pálido ao longe,
intrépido aponta o velho
para o céu,
ao lado de seu telescópio
em direção ao planeta recém descoberto,
que paira sobre o tédio,
que é o cadáver celeste e poroso de deus,
enquanto seus gametas de sopa cósmica,
feito Cronos capado e amputado,
e lançado ao mar,
ao léu geram astros esquálidos,
enquanto meu corpo paira,
sobre o tecido negro do espaço,
tempo que se distorce,
que se dobra e desdobra sobre si mesmo.

Fosfina é o nome do meu filho,
via láctea é o nome da minha esposa,
estranhas e raras formas de vida,
baseadas em carbono e feito piolhos
nos habitam.

Intrépido aponta o velho
para este triste planeta,
e este planeta sou eu,
filho do ovo,
da necrose de deus.

A Parte Mal Dita
Vitchenzo Manfron Caliari
Yuri Fernandes Machado

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