← Poemas
Vitchenzo Manfron Caliari Poema 2025

As Faces do Peregrino

O que deixa um poema mais forte?
O que faz com que a poesia veja o amanhecer?
O que garante valor para um poeta embrionário?
É de força, luz e valor que precisamos, Frutos d'Arte?
Compomos em cada vertente a sinfonia presente
De um propósito finito. O que me resta dizer
Enquanto ainda respiro e tiro do fundo do ser
Traços da fauna e fragrâncias da flora?
Olhem só, é um feto falante!

Desprendido das correntes que moldam
Ao bel prazer nada belo, o disparato é o fato
Que rompe o silêncio e dá-me voz até o acalentar
Do peito gritante. Emoção e razão juntas aos
Anos vindouros, mas minhas trilhas justas
Permeiam rios de saber e aos pecados capitais desmerecer.
As idades de fases e constante homicídio próprio
Contra vários de mim mesmo me dão faces e aprendizagem.

Não existe vaidade na morte, não quero vibrações
Com meu nome e paixões para erigir concretos
Sólidos e congelantes duma mente turbilhonante.
Senti a grama do campo e o frescor do mar,
Estive acima das nuvens e no próprio subterrâneo,
Observei as diferenças do novo e velho mundo,
Formei novas linguagens e um pensar.

Pura riqueza imaterial é esta do artista,
Sem cifrões no bolso, como leões devoramos
O que move nossas paixões! É singelo o entregar
Pelo verdadeiro amar a quem impulsa nossa expressão.
Nossa conjuntura leva à escrita, pintura, música, mais, mais, mais!
Mas jamais em unicidade do existir. Não estamos sós!
Nossa musa pode ser muitas coisas, a Arte merece uma dedicação,
O artista foi semeado para eterna devoção!

Clamo que me ouçam, que me leiam, que me dirijam
Avalanches e flores além do bem e do mal.
Cresço e falo, com o alfabeto me digo esperto
Tendo como certo o som de minha voz.
Ela ressoa aos escuros cantos vazios dando-lhes nomes
E talvez ditando regras claras.
Nós, poetas, somos leis e participamos do Eterno.
Com rimas nos tornamos mágicos do enigma das cores.
Há quem nos ouça e nos espere, de qualquer forma...

Não sou Prometeu, a chama que dou às tábulas rasas
É desprovida de vida. É tinta que me provê
O contorno do tempo que se vê nas palavras
De cada século. Assim enquadram o poema as
Lágrimas em aquarela com tristes mortes,
De onde elas vêm? Por Adonais?
O pranto pelo jovem morto de coração partido
Com gélidos dedos que seguravam a obra de anciãos
Atemporais, que o trouxeram o fado do encerramento
Do espírito. Sua respiração cessada será o queimar d'Arte na praia.
Se seu brilho não foi comemorado, por que lamentar?

Enquanto a pena vai e vem, a melancolia me emudece
Mas me amadurece com recordações das noites com estrelas.
Eu, peregrino dos sonhos, me asseguro das ondas de poesia.
Não preciso citar os nomes de poetas
E de diversas obras para mostrar vitalidade dos meus escritos.
Confio em mim mesmo para a alma criar juízo mesmo no riso.
A Beleza é só um pequeno fruto no grande núcleo de transgressões
Que tecem as paisagens das nossas sensações e visões.

Não sou ingrato pelos nomes, pois eu peregrinei
Aos túmulos daqueles que também receberam insultos
Em vida e cuspidas após o repouso mortal.
De terras para além dos oceanos eu cruzei em passos
Incessantes, mas não eram o bastante, eu queria ver mais.
Imergi em pinturas dos artistas que superaram a realidade
E excedi o limite capaz para o entendimento comum.
Conheci mortos autores e pintores, reis e rainhas
Do passado remoto, e nunca será o suficiente
Permanecer estagnado e ausente do que me aguarda.
Histórias a partir da História despertam minha sede.

Nunca me despedirei enquanto olhar e andar,
Sou produto com aura indomável para passar adiante
Nosso instante granular. Não me recai peso por
Escrever e utilizar o vigor, amor e dor.
Tão logo deitaremos em eterna posição para o prazer da foice
Após permanência material que chegou ao fim.
Eu sou jovem, eu sinto, eu vejo e tenho de viver!

Revisado em 2026

A Parte Mal Dita
Vitchenzo Manfron Caliari
Yuri Fernandes Machado

@apartemaldita
apartemaldita@gmail.com

© 2026 — Todos os direitos reservados

acesso interno
Site desenvolvido por Vitchenzo Manfron Caliari