Olhos vis pairam acima de celas,
Asas abertas fazem os braços aos grilhões invejar,
Tempo escorrido às covas bem-vindas,
Mas tu, prisioneiro, não temas e não chores,
Até os pássaros estão condenados a voar...
São gritos de corvos e negras penas
Que se camuflam ante o nublado vespertino e cobrem o Sol,
Planam e contemplá-las nos arrepia como garras que sobem o corpo
Pensando ser a descida do Anjo portador da foice
Para cada rosto, consigo ver as coroas de flores
Ao redor do caixão com seus corpos
E seus véus sobre a frieza de lábios sem sorriso
Sob o olhar indiferente dos corvos noturnos
Mas quando a sombra repousar sobre nossa terra,
Nem grades, nem carne, nem o tempo restarão,
E assim o condenado que vê o fim e sepultura
Será apenas mais um pássaro voando em solidão.
