Maquinalmente, viro página
A tinta escorre e molda
Uma negação
Das correntes necessidades
E não me reergo
Não me renego
Maquinalmente, afastado
Da composição
Sem nome, sem fim
Fiel a mim
Roendo o resto
Maquinalmente, tropeço
Às ruelas
Bebo ardência
Mastigo o olho da poesia
Esperando, esperando, esperando
Maquinalmente, publico
E engaveto
E torna-se público
O futuro esquecimento
Pelo ralo
Maquinalmente,
sepultado
