A fotografia captura,
sorrisos que nunca demos,
gestos que nunca fizemos,
pessoas que nunca amamos.
A fotografia nos engana,
persuade a memória,
cúmplice da farsa,
daquilo que nunca fomos.
A fotografia inibe o fluxo,
nos prende a um retrato em uma lápide,
de um falso tempo,
onde podemos mentir a nós mesmos,
que sobre nosso palco estrelamos de tudo.
A fotografia apreende o mundo,
mundo das sombras projetadas nos muros,
enquanto folheia uma infeliz senhora
seu álbum de fotografias,
se apega a frames do passado,
e inventa um deus fotógrafo,
para que sua lente captura o futuro.
