Pai de todos os santos,
Pontífico do santíssimo brilho,
Quem dera eu ser escolhido
Para um feito honrado.
Deito sobre a terra amarga
Que de cada folha ao cair me escapa,
Mais fácil ser perfurado com uma
Estaca, pois não feito fui para a espada.
Letrado e sábio, mesmo ao cavalo
Montado dispenso e me despeço
Dos bravos atos fora de minha altura.
Sou um culto e não bruto,
Meu Senhor, em clamor afasto
O nefasto assim em protesto
Por paz e louvor. Daqui de cima
Em torre escorre a chuva e
Minhas preces aos terrestres
Andarilhos e filhos que rumam
Às batalhas que os chamuscam.
Não posso julgá-los indolentes,
Pobres até sem dentes
Em suas bocas que também sábias,
Como eu, tem a mostrar erudição.
Do tinto vinho às escuras cervejas,
Das tavernas sujas com pratos mofados
Aos celeiros imundos de úmidas palhas,
Se ouvem canções e discursos
Para aquecer corações de mudos e surdos.
Minha pena dourada percorre
Com adorada complacência
O que se vê no povo baixo, tão
Alto quanto um salto de um pavão
De múltiplas cores em caudas como trovão.
A chuva cai e emoção não se esvai.
Pai, dos pecados nenhum me recai.
Assegurando e esperando
A salvação das almas em dias
Escolhidos, angelicais vozes
Se acumulam sobre a abadia
Em raios de luzes tardias. As velas
Recebendo o toque das madonas
Donas da paz dão-me conforto,
Agora no chegar da noite
Com seu luar e soprar que em mim
Não espalha frio no manto carmin.
Não fui feito para nobres feitos,
Intrajável para uma armadura
Que não me cabe no peito de pequena bravura.
Sim, agora já não me envergonho
Mais por estar à parte com sorte
De permanecer, viver, e não esquecer
Ou desmerecer os que buscam vencer.
