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Vitchenzo Manfron Caliari Poema 2024

Um corte ao se barbear antes de trabalhar

Maltrapilho, sim, você! Filho indigno
Dotado apenas de lamúrias,
Isolado por si e encadeado num ninho
De decepções resultantes de dias
Que jamais existiram. És personagem
Que ao abismo está à margem.

Ao se olhar no espelho,
Assuma em frente a rude fronte
Cansada e fracassada da tormenta fonte
Que despeja lágrimas em torrente forte.
Ai de ti! Uma vez mais e basta!
Dessa carga a vida está farta,
Existindo, indo, vindo, rindo
Diariamente da própria desgraça
E sentindo a persistência da farsa.

Fundo corte para despejar ao mundo
A vermelhidão do composto imundo
Que inunda os tubos de movimento
Conjunto para o corpo desalento.
Não vale a pena, nem para escrever,
Muito menos a pena condenação que se encena,
Pois ímpio seria com raízes no Inferno em eterna serventia.

Mãos, arrancai-me a visão! Pois, não!
Isso não posso fazer, deixar de ver.
Que prazer teria em não absorver
Com volúpia a visão da desgraça alheia?
Tanto me alimenta e alenta
Em um caos em que não me aposenta.

Carregar cartuchos? Estão murchos
E sujos, justamente aqueles cujo
Tanto manuseei e carreguei
Para um fim que semeei no inverno
Sempre constante. Neste instante,
Vejo o curso do badalar do sino ressoar
Rua acima e abaixo. Elucubro
E descubro no rubro futuro espalhado
Que me jogo para um fado
Maculado. Um mortal espectral
Descarnado sob o eterno retorno da vida atual.

A Parte Mal Dita
Vitchenzo Manfron Caliari
Yuri Fernandes Machado

@apartemaldita
apartemaldita@gmail.com

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