Dois anos antes de “O Bandido da Luz Vermelha”, antes do Cinema Marginal se consolidar de fato como movimento, havia um jovem cineasta de 20 anos caminhando pelas ruas de São Paulo com uma câmera e uma pergunta simples: o que é o cinema?
“Documentário”, o primeiro filme de Sganzerla, dura onze minutos e o enredo cabe numa frase: dois jovens tentam decidir qual filme assistir; e particularmente, eu escolhi este curta-metragem por refletir minhas andanças curitibanas junto ao meu parceiro que também faz esse projeto acontecer. Mas o que parece uma situação banal, se torna rapidamente uma reflexão sobre o próprio ato de ver, pensar e discutir cinema!
A conversa dos dois amigos gira em torno de diretores e estilos cinematográficos, é uma ficção que questiona as fronteiras entre a realidade e a representação, uma discussão típica do cinema moderno dos anos 1960 e que de forma impressionante, Sganzerla já dominava com uma maturidade fora do comum.
A câmera é livre, acompanha os personagens e a cidade de São Paulo se torna parte da experiência…
